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Inovar ou não inovar no currículo: eis a questão!

Vejo no jornal a notícia de que um candidato a emprego nos Estados Unidos enviou seu currículo em um formato de barra de chocolate (résumé bar em inglês significa, em uma tradução livre, barra de currículo).

A ideia dele foi realmente genial! Ele criou um slogan falando que satisfaria o apetite de qualquer empresa, e aproveitou o lugar das informações nutricionais para valorizar as características que ele crê que apresenta:  Criatividade, 100%; Ética no trabalho, 110%; Liderança, 100%!

CV chocolate

Mas o candidato também deixou bem claro, em letras grandes, que se tratava de um Profissional Experiente de Marketing. E é aí mesmo que está toda a graça da história! A principal razão de um currículo tão criativo ter gerado a contratação para a vaga é porque ele é justamente para o Marketing, uma área em que a capacidade de inovar, de surpreender e de pensar “fora da caixa” faz toda a diferença!

Imagine um currículo desses feito por um candidato a contador. Por favor, não é nenhuma perseguição a contadores, muito pelo contrário, mas vamos pensar juntos. Quais são as competências essenciais de um contador? Normalmente são a organização, a atenção a detalhes, a credibilidade, o fato de saber seguir as regras… e aí de repente ele manda um “résumé bar”…  muito provavelmente esse candidato vai ser excluído do processo justamente pelas mesmas razões que pesaram na contratação do nosso amigo de Marketing… ele é uma pessoa que surpreende e pensa fora da caixa, justamente o que uma empresa não quer de alguém que tem que reportar números seguindo procedimentos rígidos.

A verdade é que algumas vagas realmente permitem uma inovação no currículo. Imagina um candidato a jornalista de TV que manda junto de seu currículo um vídeo com uma matéria feita por ele? É algo que pode ajudar a se diferenciar dos outros. Um ilustrador, por exemplo, pode muito bem enviar um currículo em formato de fotolivro mostrando seus trabalhos anteriores e vai chamar muito mais a atenção do que o outro candidato que mandou só um currículo…  Mas a gente tem que lembrar que muitas profissões tradicionais acabam pedindo currículos mais tradicionais também…

O mesmo também acontece com empresas tradicionais.  Precisamos sempre levar em conta o perfil da empresa na hora de inovar no currículo, até porque isso determina a forma que o recrutador vai olhar pra ele… Com certeza, o departamento de RH de uma empresa centenária e formal será atingido de uma forma completamente diferente de uma outra em que o ambiente tem sala de jogos e pessoas trabalhando de bermuda.

Inovar no currículo não é só criar alguma coisa mirabolante… É também personalizar, fazer com que ele fique atraente para a posição que nós estamos nos candidatando… Um currículo tem que vender a sua imagem como sendo a pessoa ideal para ocupar aquela vaga naquela empresa. Se o currículo cumprir essa missão, podemos garantir que ele será considerado para as próximas fases, ao invés de ir pro lixo… ou pra barriga do profissional de RH!

Você sabe preparar um currículo?

Com foto ou sem foto? Papel branco ou colorido? Quantas páginas? Coloco a idade? O estado civil? Essas são dúvidas que passam na cabeça de todo mundo na hora de preparar um currículo. A ideia aqui é te ajudar nesse propósito!

Em primeiro lugar, tenha em mente um objetivo. Não adianta colocar no currículo que você quer a área administrativa, comercial e de contabilidade. Se você tem interesse nas 3 áreas, faça um currículo para cada uma delas, valorizando mais as atividades desenvolvidas dentro daquele objetivo. Na prática, coloque naquele cujo objetivo é trabalhar com contabilidade todas as tarefas contábeis que você já executou.

Outra dica boa é prestar atenção no anúncio da vaga que você a que você quer concorrer. Se ele pede uma experiência que você tem, por exemplo, “negociação com fornecedores”, revise o seu currículo e coloque claramente aquela atividade entre as suas atribuições. Mas tem que ser verdade, porque se o recrutador está buscando aquilo, muito provavelmente ele vai te fazer perguntas sobre o assunto.

A posição dos itens do currículo também pode variar. A única parte que sempre vai ser a primeira são os seus dados pessoais: nome, endereço, telefone e e-mail. Em segundo, coloque seu objetivo e, em seguida um resumo de suas qualificações: algumas linhas sobre suas principais realizações e seus pontos mais fortes.   Nesse ponto, nada de personalidade. Isso quem vai julgar é o recrutador. Você pode simplesmente colocar algo como: “Profissional com inglês fluente e mais de 7 anos de experiência na área  de importação e exportação, sendo responsável por atividades como desembaraço aduaneiro, etc, etc.”

A partir daí, tudo depende de uma análise crítica sua. Abaixo do resumo de qualificações, deve vir o seu ponto mais forte. Se você fala idiomas e isso é importante para a vaga à qual você está se candidatando, coloque esse fato logo no início do currículo e depois escreva a sua experiência profissional e educação. Se a sua educação foi em uma das melhores universidades do país, coloque isso logo no início. Se, ao invés disso, você tiver estudado em uma universidade média e tiver um inglês básico, mas tiver uma experiência profissional forte, foque na experiência primeiro e coloque a educação e os idiomas depois.

O importante é que você personalize seu currículo para que ele combine com o cargo ao qual você está se candidatando, mas sempre falando a verdade! Não ceda à tentação de exagerar: é melhor não ter todas as qualificações do que passar por mentiroso! E faça com que esses itens estejam no seu currículo: identificação pessoal, objetivo adequado ao cargo a que você está se candidatando, resumo de qualificações, formação educacional, idiomas, experiência profissional (dividida por empresas, com a data de início e término e a lista de atividades relevantes à vaga)

Bem, antes que você diga que eu não falei dos detalhezinhos lá de cima: a foto dificilmente serve para atrair mais um recrutador do que um currículo sem foto, mas pode ser decisivo para eliminar um candidato. Por isso, se você preferir colocar foto, aposte na sobriedade e coloque uma com aspecto bem profissional. A cor do papel não faz tanta diferença assim! Normalmente, deixe o colorido para cargos que precisam de mais criatividade, como designers ou publicitários. Os outros podem usar o branco mesmo! Duas páginas é o tamanho ideal de um currículo! Menos do que duas parece que você não tem ainda muito pra contar (o que é totalmente normal para alguém que está começando a carreira, mas não para quem já está trabalhando há bastante tempo!) e mais do que 3 páginas acaba cansando o recrutador.  Então, não exagere! Se você prefere não colocar a idade, não coloque, mas lembre-se que, pelo seu histórico profissional, dá para estimá-la de qualquer forma.  O estado civil pode ficar de fora,  já que,  infelizmente, ainda tem recrutador que acha que quem é casado e tem filhos tem limitações.  Pronto! Agora, mãos à obra e faça o seu currículo ser um dos escolhidos para a próxima etapa… a entrevista!

Procurando um novo emprego

Algumas pessoas leram o primeiro post que coloquei aqui no Blog de Tudo e me disseram que estão passando justamente pelo momento de querer mudar de emprego, mas não sabem por onde começar! Então, resolvi tentar ajudar nessa reflexão.

Em primeiro lugar, é uma decisão difícil de se tomar, então nunca decida nada de cabeça quente. É importante tentar encontrar a verdadeira razão de você querer mudar de emprego. Lembre-se que toda empresa tem seus próprios problemas, então não adianta nada mudar para um lugar onde haja o mesmo tipo de situação. Por exemplo, tem gente que viaja muito e quer mudar de emprego para ter mais tempo para a família. Ir para uma multinacional em crescimento dificilmente vai ajudar a diminuir esse ritmo de viagens.

Nesse caso, é importante  também tentar avaliar o que você almeja para a sua carreira. Ter a consciência do que você quer e do que não quer para a sua vida profissional é fundamental para fazer uma boa escolha.  E, para ter uma visão clara, não deixe a insatisfação chegar a um estágio em que você praticamente aceitaria qualquer proposta para mudar de emprego.

Também é uma boa ideia procurar um novo emprego com calma, enquanto você ainda está empregado. Quando estamos com a pressão do desemprego, com contas para pagar, acabamos tendo a tendência de ir a todas as entrevistas e tentar todas as vagas, mesmo quando elas não têm a ver com o nosso planejamento profissional.

Por isso, se você pensou com calma e realmente decidiu que é hora de buscar algo novo, tente começar pelos passos abaixo:

Revise seu currículo. Mas revise de verdade. Seu currículo é de fácil leitura? Ele está alinhado com o que você quer para sua carreira? Você está “vendendo” bem as suas habilidades referentes à atividade em que você quer trabalhar? Checou a ortografia? Uma boa dica é pedir para aquele amigo bem sincero dar um palpite. Às vezes quem está de fora consegue perceber coisas que nós, que escrevemos, não conseguimos nem notar.

Atualize (ou crie, caso não tenha!) o seu perfil no Linked In. Hoje em dia, não existe vitrine melhor para suas habilidades profissionais. Coloque também um telefone ou e-mail para contato. Se você quer mudar de emprego, as pessoas que gostarem de seu histórico profissional precisam poder falar com você. Também é muito importante adicionar pessoas com quem você tenha trabalhado. Quanto mais pessoas você conhece no Linked In, mais chances de você estar indiretamente conectado com alguém que pode vir a te contratar. Dica número 1: Linked In é uma rede profissional, por isso evite atualizações automáticas do Facebook ou Twitter. Uma brincadeira entre amigos pode acabar pegando mal no Linked In. Dica número 2: cuidado com a foto no Linked In. Escolha uma foto só de rosto, com uma roupa profisisonal.  Caras e bocas, maquiagem pesada, músculos à mostra ou decote exagerado ajudam a criar estereótipos que podem acabar atrapalhando sua busca por um emprego legal.

Procure os sites das empresas com as quais você se identifica. Verifique as vagas que elas têm em sua área.  Algumas permitem que você se cadastre para receber informações de vagas futuras. Use essa ferramenta.

Busque sites especializados em divulgação de vagas. Além dos sites de consultorias, onde é possível ver vagas interessantes e se cadastrar, procure sites como o www.indeed.com.br  ou então o www.simplyhired.com.br . Você pode colocar o cargo que te interessa e a cidade onde quer trabalhar e ver quais são as opções para a sua área.  Dica importante: na hora de buscar a vaga, preste atenção às diversas nomenclaturas de um mesmo cargo. Um Coordenador Financeiro, um Analista Financeiro Senior e um Encarregado de Finanças podem ser o mesmo cargo e estarem listados de formas distintas nesses sites. Então esgote todas as possibilidades na hora de procurar, fazendo várias buscas com nomes diferentes.

E, se estiver empregado, não se candidate a todas as vagas disponíveis. Escolha aquelas que realmente fizerem seus olhos brilharem. E, ao participar de entrevistas, pergunte bastante sobre a empresa, sobre a vaga. Pense que esse já é um momento delicado… trocar de emprego não é fácil, então tente se cercar do máximo de cuidados para garantir que a nova escolha será realmente um passo à frente, ainda que não o seja imediatamente.

Quando é a hora de seguir em frente e buscar outro emprego?

Hoje uma grande amiga me mandou um e-mail, toda chateada, me contando algumas coisas pelas quais ela está passando no trabalho. Ela terminou o e-mail me perguntando: “e aí, Sílvia, será que é hora de eu começar a procurar outra coisa?”

O mais engraçado é que eu acho que, ao me perguntar isso, ela já sabia a resposta. Ela mesma me deu os motivos da sua decisão ainda não tomada: não se sente valorizada, não recebe um feedback condizente com as atitudes de seus superiores, não confia nas decisões que a empresa está tomando, não tem mais vontade nenhuma de pegar o carro e ir trabalhar…

Qualquer emprego vai ter várias coisas de que a gente gosta e outras que a gente não gosta nem um pouquinho. Ter preguiça de ir trabalhar de vez em quando na segunda-feira ou ficar irritado com uma reunião ou com uma decisão do chefe não é motivo pra pedir demissão.

Mas quando as decisões da empresa vão contra os seus valores, quando você vê que tanto você como os seus colegas são desrespeitados ou quando você contribui com ideias importantes, recebe bom feedback e mesmo assim, depois de anos, você ainda continua no mesmo lugar, aí sabemos que tem alguma coisa errada.

Aí você decide fazer a sua parte e leva o assunto adiante e decide conversar com os líderes para tenta buscar soluções, e ainda assim, nada muda. E, quando você percebe, a vontade de não ir trabalhar não é mais somente na segunda-feira pela manhã. É todos os dias. E tem gente que fica até doente. E há outros que simplesmente passam a não se importar com o trabalho que está fazendo. Passam a nem quererem saber se estão cometendo erros ou fazendo um trabalho de má qualidade.

E é aí justamente que a coisa fica mais complicada: porque deixamos o ambiente ruim no trabalho afastar o bom profissional que existe dentro de nós e depois, quando decidimos finalmente pedir demissão, pode ser que ele demore a aparecer de novo para nos ajudar a conseguir um novo emprego.

Ou seja, temos que ter paciência e tentar resolver, mas não podemos deixar as coisas chegarem a um ponto insustentável. A verdade é que não tem hora certa. E muito menos existe uma razão fundamental pra tomar a decisão de pedir demissão. Mas a gente sente. E, na maioria das vezes, quando a gente pergunta a alguém se está na hora é porque no fundo a gente já sabe que essa hora  chegou. E aí é só se planejar para esse momento… mas isso já é assunto pra um próximo post!