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Sobremesa de chocolate sem leite

Após descobrir que talvez minha filha de 4 meses tenha alergia à proteína do leite, precisei fazer uma dieta sem poder ingerir nada que levasse leite e alguns derivados.

Dieta bem difícil para alguém cuja alimentação proteica é bem precária, estando a ingesta de proteína basicamente restrita justamente ao… leite!

Pesquisando sobre comidas possíveis, me deparei com um livro de receitas bem interessante: “100 receitas sem leite e derivados”, de Sabrina Sedlmayer. Bem, após esse título totalmente autoexplicativo, coloco aqui uma das que mais me agradou. Dá para fazer adaptações, e não é muito complicada.

Vamos a ela:

PETIT GATEAU SEM LEITE E DERIVADOS

Você vai precisar de:

Para a massa:

4 claras

2 xícaras (chá) de açúcar refinado

3 colheres (sopa) de cacau em pó solúvel (detalhe: o Nescau sem ser light, não leva leite e derivados! Portanto, pode usar. O light leva leite! Não use!)

2 xícaras (chá) de farinha de trigo

1 colher (sobremesa) de bicarbonato

 

Para a calda:

1 barra de chocolate extra-amargo (100 g de chocolate amargo a partir de 70% de cacau, ou chocolate de soja)

½ xícara (chá) de água

2 colheres (sopa) de açúcar

 

Como fazer:

1- Em uma batedeira, bata as claras em neve e adicione uma xícara de açúcar. Vai batendo até obter um creme firme.

2 – Em outro recipiente, junte a farinha de trigo ao cacau e misture bem.

3 – Adicione então as claras a essa mistura da farinha com cacau e, por último, o fermento em pó.

4 – Unte forminhas pequenas com óleo.

5 – Asse essa mistura em forno preaquecido a 200 graus.

6 – Verifique o cozimento após 15 minutos.

7 – Para a calda, é só derreter o chocolate no micro-ondas e adicionar um pouco de açúcar e água.

 

O bolo não, mas calda fica meio amarga (beeeeem amarga, na verdade). Quem não gosta muito de chocolate amargo, pode colocar calda de amora ou de frutas vermelhas, que também fica uma delícia…

 

 

Reparação para pele muito ressecada

Chegou às minhas mãos um produto novo da La Roche-Posay que promete tratar da pele em locais onde ela é mais castigada, como as áreas dos cotovelos, pés e lábios: o Cicaplast Baume B5.

Na verdade, o produto pode ser usado no corpo todo, porém seu efeito é notado principalmente nestas regiões, que realmente precisam de uma hidratação mais intensa.

Seu concorrente mais popular é o Bepantol, sendo que, numa comparação entre os dois, embora sejam beeeeeem semelhantes, a consistência do Cicaplast me pareceu mais fácil de espalhar e também de ser absorvida pela pele mais rapidamente.

bepantolCicaplast-Baume

Quanto ao poder reparador, também ficou fácil perceber que, em mais ou menos uma semana, já é possível notar uma bela diferença no local afetado.

Comecei a usar após passar uma semana no Texas, EUA, lugar super seco, e de onde voltei com as pernas e os pés bem ressecados. Foi ótimo. Em poucos dias, minhas pernas estavam novamente hidratadas e os pés com uma textura bem macia. Valeu a pena.

O Cicaplast não é minha dica para uma hidratação de corpo inteiro e nem para o dia a dia, mas é super útil, principalmente para aquelas regiões que estão realmente precisando de uma hidratada mais profunda e poderosa.

Outra dica que eu dou: aplicar no mínimo 2 vezes ao dia. Após o banho e antes de dormir, dois momentos importantíssimos. O primeiro, porque, com a pele úmida, a absorção do creme pela pele é melhor. E o segundo, porque o período noturno é um dos que mais sofremos desidratação.

Se decidir experimentar o produto, diga o que achou e qual foi sua experiência.

cicaplast amostra

Ah, aproveito para dizer que tenho 2 amostras deste produto, e que as primeiras pessoas que entrarem em contato através dos comentários, dando o email, receberão uma amostra do Cicaplast para experimentar. OBS: é fundamental deixar o email para eu poder entrar em contato para pegar o endereço de envio da amostra. #desafiocicaplast  #theinsidersbrasil

Mais médicos?

MAIS MÉDICOS?

Simone Frattini*

O ensino médico no Brasil teve início tão logo a corte portuguesa desembarcou por aqui. Em fevereiro de 1808, D João VI criou, na Bahia, a primeira escola a ensinar medicina e cirurgia no país. Nove meses depois, nascia mais uma: a Escola Anatômica Cirúrgica e Médica do Rio de Janeiro. Passados 204 anos, em 2012, a USP publicou um relatório sobre avaliação das Escolas Médicas Brasileiras, mostrando que, ao todo, temos 198 instituições ensinando medicina no Brasil, um dos maiores índices do mundo.

Apenas nos últimos 17 anos, foram abertos 96 cursos novos de Medicina. A maioria em instituições particulares. Hoje, elas são mais de 57% do total, cobrando uma média de 4 mil reais por mês de seus alunos. Com o “baby boom” da educação médica no país, era de se esperar que o Ministério de Educação exercesse sua função de órgão fiscalizador e tivesse relativo controle do desenvolvimento dessas novas escolas. Por outro lado, também era de se esperar que o MEC não abandonasse o cuidado e a atenção em relação às antigas e já renomadas instituições.

Era de se esperar… Mas nós nos acostumamos a esperar demais. E receber de menos.

É óbvio que o MEC não estava cuidando do Ensino Médico como deveria. Não percebia o risco de morte de uma das mais tradicionais escolas médicas do Rio de Janeiro: a Universidade Gama Filho, fundada em 1939 e responsável por formar novos médicos desde 1965. Ao voltar os olhos somente para o novo, bebês que nasciam fortes e saudáveis, esquecia o cuidado com as instituições mais antigas, que respiravam por aparelhos.

Fossem médicos, os responsáveis pelo MEC ouviriam o bip-bip, tão comum nos nossos CTIs, falhando peremptoriamente. A Universidade Gama Filho começou a dar indícios de falhas internas no final de 2011. Alunos manifestaram-se, funcionários idem. O MEC, que, além de não ser médico, não preza pelo cuidado, não se mexeu. Os sintomas estavam todos lá. A infecção começava a se alastrar, e a morte seria questão de tempo. Se o MEC fosse um médico, teria percebido a gravidade do caso e poderia salvar a tempo a vida de quem ele deveria estar cuidando.

Ao longo de 2012 e 2013, enquanto estava em pauta a contratação de médicos estrangeiros para suprir a necessidade de mais profissionais da área no Brasil, cerca de 2 mil acadêmicos do curso de Medicina da Universidade Gama Filho lutavam para dar seguimento aos seus estudos, em uma instituição que vinha definhando, visivelmente. Professores competentíssimos e renomados, funcionários extremamente dedicados e fiéis à história do seu local de trabalho mantiveram a universidade de pé, sabe-se lá como. Sem a assistência necessária, ou seja, a atenção do MEC, tanta vontade de sobreviver não bastaria.  

Se precisamos de mais médicos, principalmente bons médicos, por que não cuidar dos nosso acadêmicos de Medicina? Por que importar médicos de outros países? Por que criar mais vagas? Fosse o MEC um médico, saberia que não se cobre um machucado profundo com um band-aid. Dependendo do tamanho da lesão e do dano, não adianta importar, de outros países, gaze e linha de sutura. Há que se fazer uma cirurgia. De outro modo, a lesão continua lá. E dói e mata do mesmo jeito.

Em 08 de julho de 2013, o Ministério da Saúde lançou o Programa Mais Médicos. Com os olhos voltados à necessidade – real – de levar assistência à saúde a milhões de brasileiros carentes. Com a contratação de profissionais estrangeiros, espera-se suprir momentaneamente uma demanda reprimida. Com a formação cuidadosa, assistida e adequada de médicos brasileiros, seria possível suprir esta demanda eternamente.

Não cabe mais perguntar por que se contratar médicos estrangeiros e criar novas vagas nos cursos de Medicina quando não há um cuidado e uma preocupação com aqueles que estão em vias de se formar médicos, alunos entre o primeiro e o sexto ano de formação médica.

Não cabe perguntar, porque não há resposta satisfatória.

E , ainda assim, precisamos de mais médicos.

Em 12 de dezembro de 2013, foi autorizada, por meio da Política Nacional de Expansão das Escolas Médicas, a abertura de 560 vagas para cursos de Medicina. Até 2017, serão abertas 11.447 vagas em instituições públicas e privadas. O baby boom continuará, sem a menor garantia de que estas novas possibilidades serão bem alimentadas, bem cuidadas, bem nutridas. Criar vagas no ensino superior não é tão complicado assim. Difícil é manter a qualidade deste ensino. É ter certeza de que a educação médica no país está crescendo forte e saudável. Ao que tudo indica, não está.

Fosse o MEC um médico, saberia que não basta colocar um filho no mundo. É preciso cuidar, alimentar, dar vacina, e, de vez em quando, levar ao pediatra, para ter certeza que ele está se desenvolvendo bem e com saúde. Mas o MEC não é médico. O MEC não entende nada de Medicina.

Aliás, ao que tudo indica, o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde são partes de um todo, mas que não se entendem muito bem. Enquanto um diz “mais médicos”, o outro abandona os futuros médicos, acadêmicos prestes a se formar e a iniciar uma carreira na Medicina, em um país que insiste em gritar: “mais médicos”. Fosse o MEC um médico, de qualquer área, ele entenderia que, se uma população grita que precisa de remédio, não adianta vir com placebo. Uma vez, li que quem tem fome, tem pressa. Quem está morrendo também. Os primeiros 10 minutos num atendimento de emergência fazem toda a diferença na sobrevivência do paciente.

Ainda bem que o MEC não é médico. A esta altura, nós, estudantes de medicina da Universidade Gama Filho, já estaríamos todos mortos. 

 

*Artigo publicado no jornal O GLOBO, seção Opinião, no primeiro caderno, pág. 13. Segue aqui o texto integral.  

Contém ômega 3

“Os peões são a alma do xadrez!”chess

A afirmação acima foi feita pelo enxadrista francês François André Philidor em meados do século XVIII. Philidor é considerado o primeiro dos grandes jogadores que tentou criar uma teoria posicional, calcada numa visão científica do jogo de xadrez. Segundo o grande mestre Garry Kasparov, todos os melhores jogadores de cada época refletiram, em seus estilos, os valores sociais e culturais da época em que viveram.

Philidor viveu, de fato, num período de grandes questionamentos e transformações. Um tempo em que novas luzes foram lançadas sobre certezas historicamente arraigadas, desafiando a autoridade de reis e clérigos, bem como as antigas concepções vigentes das leis que regem a natureza e o universo.

Os reflexos dessa Idade da Razão, o Iluminismo, se fizeram sentir nas várias revoluções que ecoaram no velho e no novo mundo, onde distintos povos e grupos sociais passaram a protestar contra a exploração de que se sentiam vítimas. Na América do norte, por exemplo, os impostos ingleses sobre o açúcar e o selo desencadeariam enorme prurido nas 13 colônias, e resultariam na independência americana em 1776. Na França, em 1789, a mobilização do oprimido 3º estado culminaria na revolução francesa, na decapitação do rei, e na confirmação da força que possui a plebe, parecendo reforçar a exaltação, por Philidor, das peças menos valiosas do jogo.

O Brasil também teve suas revoltas contra a exploração portuguesa, como a conhecida Inconfidência Mineira, deflagrada no mesmo ano da queda da bastilha, em protesto contra os escorjantes impostos sobre as atividades de mineração.

Tão importantes quanto os movimentos sociais e políticos, foram os progressos científicos. Decerto, o Iluminismo lançou sua claridade sobre a própria luz em si. Foi em 1780 que o químico inglês Joseph Priestley fez o primeiro experimento que levou à descoberta da fotossíntese – a conversão de energia luminosa em energia química. Anos antes, o político e cientista americano Benjamin Franklin também dera contribuições a ela em seus estudos sobre a eletricidade.

Benjamin Franklin

Benjamin Franklin

Franklin era mesmo um curioso nato. Em 1773, escreveu a um amigo sobre o efeito do óleo na água, fascinado pela observação de que mesmo uma pequena quantia de azeite se espalhava pela enorme área de um lago, e tirava a agitação causada pelo vento, tornando sua superfície lisa como um espelho.

A característica do azeite que gerava o efeito admirado por Franklin tem correlação com a organização de suas moléculas quando inseridas num meio aquoso: sua insolubilidade em água, ou hidrofobia. E ela também permite compreender a importância, muito repetida por todos, de um nutriente cujo significado quase ninguém sabe – o ômega 3.

Quantas vezes o leitor já ouviu (ou leu) as frases “Contém ômega 3”; “Livre de gordura trans”; “Não contém gordura saturada”; “Contém gordura vegetal”? Você tem alguma ideia do que sejam esses termos? Pois o post de hoje tentará explicá-los…

Tal como o colesterol, os ácidos graxos são um tipo de lipídio presente nas membranas de todas as células do nosso corpo. Há vários subtipos, mas todos se assemelham ao rústico desenho de uma cabeça com duas longas pernas, onde estas são as duas moléculas de ácido graxo, e a cabeça uma molécula com solubilidade em água (ou hidrofílica).

fosfolipido

Cada “perna” de ácido graxo é chamada de saturada quando só há ligações simples entre seus átomos, o que acontece quando ela é “hidrogenada” (átomos de hidrogênio completam as ligações que faltam). Já quando há ‘duplas ligações’ entre os átomos, o ácido graxo é dito INsaturado.

acido graxo

Na gordura saturada, as pernas tendem a permanecer mais retificadas.

Quando a 2ª situação ocorre (gordura insaturada), o(s) local(is) da(s) dupla(s) ligação(ões) pode(m) gerar um ângulo na perna (à semelhança de uma perna torta). Essa é a configuração Cis, em oposição à configuração Trans, na qual a perna se mantém também retificada (como na gordura saturada).

acido graxo4

Antes que o leitor boceje diante de tanta bioquímica, as “pernas retas” da gordura saturada e daquela com formato trans são PREJUDICIAIS às nossas membranas. E você já entenderá o porquê! Vamos antes entender o ômega 3…

Nosso corpo é capaz de fabricar quase todos os ácidos graxos de que precisamos à exceção de dois, que chamamos de “nutricionalmente essenciais”. Um deles é classificado como ômega 3 porque a 1ª dupla ligação (são várias na molécula) fica no 3º átomo de carbono.

Esse importante lipídio está presente em altas concentrações na retina e no nosso cérebro, e é encontrado em óleos de linhaça, de algumas plantas e peixes, bem como na soja. Talvez daí venha o aforismo de que “peixe deixa inteligente”.

omega3

Para finalizar, lipídios INsaturados (como os ômega 3) conferem fluidez às membranas das células, o que é essencial para o transporte de substâncias para dentro ou fora delas, já os Saturados, ou aqueles insaturados com formato trans, cujas “pernas” são mais retilíneas, REDUZEM a fluidez das membranas. Uma analogia simples ajudará a entender a razão disso.

Nos últimos meses, vimos, no país, vários protestos de manifestantes pelos mais diversos motivos. Basicamente, todos pleiteavam mais justiça diante de nossas autoridades que, historicamente, têm se locupletado com privilégios injustificáveis e nos explorado com impostos aviltantes.

Não raro, as manifestações têm descambado para violência franca, com excessos por parte de policiais e reivindicadores.

As gorduras saturada e trans, com suas “pernas  retilíneas”, tendem a se acomodar na membrana celular de maneira mais justaposta, uma ao lado da outra, à semelhança da rígida unidade militar de um pelotão policial que se desloca em bloco; e onde há pouca permeabilidade entre seus membros. Já a gordura insaturada, com seus ômega 3, e “pernas tortas”, não permite uma acomodação tão bem organizada das moléculas, o que aumenta a fluidez e mobilidade entre elas. Como um grupo heterogêneo de manifestantes no qual se infiltram vândalos e Black blocs, tornando a “causa” mais fluida; menos firme.

acido graxo2

Enquanto num caso o resultado é benéfico; no outro, claramente, tira a “alma do xadrez”

O que você sabe sobre o colesterol?

Na edição do último domingo, 29/09, o jornal O Globo publicou uma matéria sobre os 25 anos da Constituição de 1988. Aquela que ficou conhecida pelo epíteto dado por Ulisses Guimarães de “Constituição Cidadã”.

Dentre as frases da época citadas no topo da reportagem, há uma interessante de Sebastião de Camargo:

“O que julgo mais urgente é uma política mais humana para que o cidadão sem posse cuide de sua saúde da mesma forma que um cidadão bem situado economicamente.”

Bem… Independente de, até o momento, a nova constituição ter logrado êxito no seu objetivo de tornar a saúde pública mais justa, o post de hoje visa também fazer justiça! Mas a uma substância amiúde pouco compreendida e, não raro, criticada – o colesterol!

 

Molécula do Colesterol

Molécula do Colesterol

É cena comum nos consultórios de clínica médica e cardiologia. Você leva seus exames de rotina e espera, ansioso, o parecer do médico sobre como está seu colesterol, sobre o que deve ou não comer, e o que deve tomar para baixá-lo.

Mas o que é, afinal, o colesterol? O que de fato significa colesterol “bom” e “ruim”? E, mais importante, para que ele serve além de entupir nossas artérias?

A explicação remonta a uma época revolucionária na França, quando Política e Ciência avançavam, cada uma a seu turno, transformando o mundo tal qual se conhecera até então: os anos que se seguiram à ascensão e queda de Napoleão Bonaparte.

Naquelas três primeiras décadas do século XIX, a maioria dos países latino-americanos conquistaria sua independência, em parte como resultado do abalo gerado pelas tropas napoleônicas em suas metrópoles. O Brasil, bem sabemos, conseguiu a sua em 1822. Mas, no ano seguinte, enquanto a dissolução da assembleia constituinte que definiria os rumos do recém-emancipado império gerava a revolta de um certo Frei Caneca, um químico francês chamado Michel Chevreul publicava, em seu país, um importante trabalho sobre a gordura animal.

Michel Chevreul

Michel Chevreul

O estudo, intitulado “Pesquisas sobre os corpos graxos de origem animal” (numa ousada tradução livre!!)  foi onde se citou o termo colesterol pela primeira vez.

A etimologia da palavra provém do grego: Cole, que significa bile, e stereos – sólido, pois foi identificado na forma de cristais nos cálculos biliares (a terminação –ol designa, ainda, um álcool). E isso também explica a curiosa origem de alguns termos.

A bile, na tradição da antiguidade clássica, era um dos 4 ‘humores’ de cujo equilíbrio dependia a saúde do corpo. Acreditava-se que suas variações podiam produzir agressividade ou depressão; donde vieram os vocábulos cólera e melancolia.

Antes, porém, de prosseguir invadindo o terreno dos historiadores e profissionais da língua, vamos às respostas…

O colesterol é um tipo de lipídio (ou gordura) presente na membrana de todas as células do corpo. Apesar da origem de seu nome, ele é essencial para conferir fluidez às membranas.  É a substância que os ovários e testículos utilizam para produzir os hormônios sexuais estrogênio, progesterona e testosterona. Nossas glândulas supra-renais também necessitam dele para produzir hormônios que controlam a glicemia e a pressão arterial – cortisol e aldosterona.

Ele é, ainda, o precursor da famosa vitamina D, tão útil para evitar a fraqueza dos ossos!

Apesar da frequente preocupação quanto ao que devemos ingerir para evitar seu excesso, um pouco menos da metade do colesterol do organismo vem, de fato, da dieta. A maior parcela provém mesmo da produção endógena, e tem correlação com fatores genéticos.  (Mas que isso não sirva de pretexto para a feijoada do próximo sábado!)

Agora vamos à outra questão… A do colesterol “bom” e “ruim”!

O que vulgarmente chamamos de colesterol bom e ruim são, na verdade, dois tipos de partículas através das quais o organismo transporta o colesterol no sangue. O que as diferencia é, basicamente, o tamanho e a densidade.

Por ser uma gordura, o colesterol não é solúvel em água. (E, lembre-se, nosso sangue é composto, sobretudo, por água!). A maneira encontrada para resolver esse problema foi acomodar centenas de moléculas de colesterol dentro de vesículas (como minúsculas bolsas esféricas) chamadas de lipoproteínas, cuja superfície externa fosse solúvel em água!

As LDL (parte “ruim”) que você vê em seu exame de sangue são maiores, tem mais moléculas de colesterol e, portanto, são MENOS densas (razão da sigla em inglês – lipoproteína de baixa densidade); e as HDL (parte “boa”) são menores, têm menos colesterol, e são relativamente MAIS densas que as anteriores (lipoproteína de alta densidade).

Além de moléculas de colesterol, as LDL contêm outros lipídios, como os ácidos graxos, que o requintado leitor talvez conheça pela tradução em francês – gras, do saboroso patê de foie gras (fígado gordo); e o folião pelo tradicional carnaval de Nova Orleans: Mardi Gras (ou 3ª feira gorda)!

Basta dizer, no entanto, que a LDL, quando em excesso, libera parte de seu conteúdo nos vasos sanguíneos gerando a aterosclerose; e que a HDL, com menor teor de gordura, “puxa” o colesterol para dentro de si.

 

Michael Brown e Joseph Goldstein, cujos estudos muito contribuíram para compreendermos o colesterol, disseram em 1985:

“O colesterol é uma molécula com a face de Janus. A mesma propriedade que o torna útil nas membranas celulares, sua absoluta insolubilidade em água, também o torna letal.”

Janus era a divindade romana que deu nome ao mês de janeiro. Representado por duas faces voltadas para lados opostos, ele simboliza o passado e o futuro, e é o deus dos inícios.

Janus, o Deus do Início

Janus, o Deus dos Inícios

Vinte e cinco anos depois, não poderia ser mais atual a preocupação de Sebastião de Camargo. Tal como a dissolução da constituinte que gerou a revolta de Frei Caneca, a Constituição Cidadã permanece tendo seus princípios dissolvidos na realidade da saúde pública do nosso país do futuro; que se mantém preso às mazelas do passado, e que nunca se cansa de reiniciar, mas incapaz de resolver os problemas do agora.

Fenilcetonúricos, contém fenilalanina

A mais recente decisão do Supremo Tribunal Federal no caso do mensalão sobre os tais embargos infringentes refletiu com exatidão a mentalidade do país: Somos um país que protela. Seja através dos incontáveis recursos do sistema jurídico, seja pela exaustiva burocracia para resolver as coisas mais simplórias, fazemos parte de uma nação de procrastinadores.

O ministro Lewandovski resumiu essa tendência, com perfeição, em uma pergunta simples durante uma de suas excitantes discussões com o ministro Joaquim Barbosa.

“Do que temos pressa?”, questionou ao ser incitado a ser menos prolixo em seus comentários em favor dos réus.

 

Bem, política à parte, o assunto que desejo abordar neste post é outro. Uma enfermidade de que muitos ouviram falar, mas sobre qual, creio, nem todos sabem muita coisa: a Fenilcetonúria!

Quem nunca leu nas latas de refrigerante a frase: “Fenilcetonúricos, contém fenilalanina”? Você sabe o que isso significa? Pois bem, vamos lá!

Essa frase nada mais é do que um aviso aos portadores dessa doença. Como se o fabricante do refrigerante dissesse: “Ei, vocês que são fenilcetonúricos, que são portadores de fenilcetonúria, esse produto contém fenilalanina! Não o bebam!”

Mas o que é fenilalanina? E por que quem tem a doença não pode ingeri-lo?

Como gosto de História, e bioquímica é um pouco maçante mesmo pra quem é da área, vou voltar um pouco no tempo a fim de contextualizar a explicação – aos revolucionários anos 1930

Em 1934, o mundo assistiu a alguns eventos importantes. Nesse ano, na Alemanha, por exemplo, as Brigadas de Segurança (SS) de Hitler esmagaram uma tentativa de golpe engendrada por Ernest Roehm – chefe das SA (Seções de Assalto) e seu ex-aliado. O episódio, conhecido como Noite dos Longos Punhais, fortaleceu o líder do partido nazista, que assumiu a presidência do país após a morte de Hindenburg naquele mesmo ano.

O Brasil, na época, também teve sua revolução. Mas, pelo contrário, com algum ganho de civilidade em certos aspectos institucionais. Foi quando, sob o governo de Getúlio Vargas, se promulgou a 2a constituição da República, que estabeleceu ou regularizou o voto direto, a Justiça do Trabalho e  Legislação Trabalhista, a extensão do voto às mulheres e o mandato presidencial de 4 anos.

Bem, ainda naquele ano, enquanto se desenrolavam esses fatos históricos, um médico norueguês chamado Asbjörn Fölling investigava a causa do retardo mental de dois irmãos que haviam nascido normais. A mãe dos pacientes relatou que notara surgir um forte odor na urina dos rapazes quando eles tinham 1 ano de idade, e o Dr. Folling, que também era bioquímico, descobriu que a substância responsável pelo odor deixava a urina com uma cor verde-oliva quando se acrescentava FeCl3 (cloreto férrico). A substância, de nome estranho, era o fenilpiruvato, um ácido (mais precisamente um cetoácido), que deu nome à doença de fenilcetonúria (o sufixo -úria se refere à perda na urina).

Mas o que, afinal, isso tem a ver com a fenilalanina?

A fenilalanina é um dos 20 tipos de aminoácidos que formam as proteínas do nosso corpo. A maior parte da fenilalanina que ingerimos (75%) é transformada em tirosina, um outro aminoácido que o organismo utiliza para fabricar os famosos hormônios da tireoide, além de transmissores cerebrais.

É justamente essa transformação que está defeituosa nos portadores da doença!

O resultado é o acúmulo de fenilalanina, e sua conversão ao fenilpiruvato.

A consequência desse defeito é o retardo mental grave e a baixa expectativa de vida (sem tratamento, a maioria morre antes dos 30 anos de idade). E a terapia é, justamente, uma alimentação pobre em fenilalanina iniciada bem cedo, logo após o nascimento.

Foi essa preocupação de diagnóstico precoce que motivou a adoção da triagem em massa da população através do conhecido ‘teste do pezinho’, que além desse, identifica outros vários distúrbios metabólicos.

Hoje, quase 80 anos depois dos acontecimentos narrados, a Alemanha é um dos países mais desenvolvidos social e economicamente do mundo. Tem instituições fortes e democracia estável.

Na visão de alguns políticos brasileiros, ao contrário, nossa democracia é mercadoria a ser comprada com o suborno de algumas mesadas.

Um estudo mostrou que o Q.I. médio de fenilcetonúricos tratados poucas semanas após o nascimento era de 93, comparado ao Q.I. de 53 daqueles cujo tratamento foi iniciado após 1 ano de idade.

O que isso nos deixa de lição?

Que ter pressa pode fazer toda a diferença!