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Festa Junina em casa

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Tudo bem que já estamos em julho…
Mas já há muito tempo que a festa junina, pelo menos no Rio de Janeiro, começa em junho e vai até agosto! Melhor para a gente, que pode curtir mais tempo essas festas típicas que são tão gostosas!

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Minha dica de hoje vai para quem quer fazer uma festinha caipira em casa.

Não precisa de muito… espalhe umas bandeirinhas, faça umas comidas tipicamente caipiras, combine com os convidados o traje a caráter (pelo menos uma camisa xadrez todo mundo tem, vai…), e simbora pro arraiá!arraia8

Aqui vão as fotos do que fizemos aqui em casa para comemorar o mesversário da nossa filha! Como não temos muito espaço, chamamos somente os avós e padrinhos, mas nada impediu de ser bem animado.

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Teve até uma barraca do beijo no improviso (na verdade, uma esteira daquelas de estender na praia, presa na parede) … Tudo simples, caseiro e barato.

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As bandeirinhas foram feitas com papel de seda coloridos que vêm às vezes embrulhando alguns presentes. O bolo de aniversário na verdade foi um bolo de fubá.

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De comidinhas salgadas simples, as ideias são: pipoca, caldo verde, empadinhas, caldinho de feijão, cachorro quente, salsichão, milho verde… De doces, canjica, cuscuz, pé de moleque, paçoca, cocadinha, tapioca, e mais outros doces caseiros e bolos. O que não falta é opção.

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Importante é aproveitar o meio do ano e festejar de algum jeito bem caipira!

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PORQUE A IMPRENSA EUROPEIA NÃO ENTENDE O IMPEACHMENT DE DILMA ROUSSEFF

Um grito preso na garganta nem sempre sairá na hora exata e pelo motivo certo.

Grande parte da população brasileira sofreu calada quando, numa noite chuvosa de domingo, em 26 de outubro de 2014, viu Dilma Rousseff ser reeleita presidente da república, fazendo com que o Partido dos Trabalhadores abocanhasse o quarto mandato seguido no poder.

A crise política, já instaurada no país, se solidificou, criou raízes, abriu buracos imensos… Engoliu a Petrobrás, a inflação, o dólar, o poder de compra do povo, as chances de trabalho da população…

 Que ironia! O autoentitulado Partido dos Trabalhadores foi responsável (direto ou indireto) pelo maior número de trabalhadores desempregados na história do Brasil. O autoentitulado Partido dos Trabalhadores foi também responsável (direto ou indireto) pelo maior roubo aos cofres públicos que se tem notícia.

Ladrões, desempregados, corruptos… O Partido dos Trabalhadores não honra o nome que tem.

Às pessoas que sofreram caladas naquele domingo da reeleição presidencial, se juntaram mais uns tantos. Mais cidadãos com seus gritos presos na garganta. A dor de ver um país se desfazer na nossa frente.  A cada vez mais nítida sensação de sermos a rã inerte que está sendo cozinhada em água fervendo aos poucos.  O medo de, com aquele grito preso, engolirmos em seco, mais uma dúzia de sapos.

O grito precisava sair. Mesmo que não fosse da melhor maneira. No melhor momento. No lugar mais adequado. O grito precisava sair. Todos queriam falar. Todos precisavam ser ouvidos.  Mesmo que o discurso fosse um pouco atabalhoado. Mais ou menos rouco. Por vezes, agudo demais. Até histriônico, através de um humor desmedido. Mesmo que fosse com uma dose de ironia. O grito estava lá e precisava sair. Pela família, pela honestidade, pelos filhos, netos, esposas, pelo povo, pela população, pelo futuro. Pela família. Pela família. Não tanto pelo crime. Mas pela família.

Sim, pela família. Talvez nenhum outro povo entenda, mas assim é o brasileiro. Pode até não fazer por ele. Mas faz pela família. Culturalmente, é nela que está nosso maior valor. E em Deus, claro. Então, que outros motivos nos fariam soltar este grito preso na garganta…?! Nem tanto o crime, nem tanto a dor – já estamos habituados a sermos usurpados e sofrermos –, mas não brinquem com nossa família. Não destruam a única coisa que podemos oferecer a ela: um futuro. Invocando a Deus, e “pela família”, cada um falou como podia. Como sabia. Cada um soltou seu grito do jeito que conseguiu.

Mas o grito precisava sair.

 Ela precisava sair.

 A imprensa europeia, de um modo geral, deu um tom circense às notícias sobre a votação do impeachment da presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Perfeitamente compreensível. Jornalistas não são psicólogos. Não entendem muita coisa de gritos presos na garganta. Analistas políticos do Velho Mundo, por mais empáticos que sejam, não são capazes de entender o que é ser brasileiro no Brasil. Simplesmente por um motivo: eles não são.

Entendem muito de política. Talvez compreendam perfeitamente como o cenário de um congresso deve funcionar em casos sérios como o Impeachment de um presidente eleito democraticamente. Mas sacam muito, muito pouco de Brasil. Sabem menos ainda sobre o que significa “esquerda” aqui neste país.

Ser de “esquerda”, aqui, não tem poesia nenhuma. Absolutamente nada a ver com os questionamentos filosóficos, inteligentes e interessantes da velha esquerda europeia. Um dia, aqui, muito tempo atrás, também ensaiamos uma esquerda bonita assim.  Mas ela não vingou. O Partido dos Trabalhadores fez acordos com a direita e comprou a esquerda. A desmoralizou completamente.

Com o perdão da soberba, mas, me desculpem jornalistas europeus, com todo o respeito ao conhecimento e à inteligência que eu sei que vocês têm, de Brasil vocês não entendem nada.  

O que vocês noticiaram como circo, eram gritos presos na garganta e que, desembestados, começaram a sair do que jeito que dava. Do jeito que deu. Era isso ou era nada. Então foi assim. Foi Sim.

Não tinha a racionalidade, a temperança e o equilíbrio que a mídia europeia esperava. Claro que não tinha. Não somos europeus. Não sabemos ser assim. Somos brasileiros. Não somos temperados, racionais e equilibrados. Somos emotivos, apaixonados e exagerados. O grito preso na garganta não combina conosco. E quem não entende isso, ainda não entendeu nada.

No que diz respeito à política, o brasileiro ainda está na primeira infância. Obviamente, há muito que precisamos aprender. E, quem sabe, ainda chegaremos à seriedade impassível que a mídia europeia espera de nós.

Com pouco mais de 150 anos de vida política, saber gritar quando as coisas estão erradas já é um avanço. Um bebê não sabe explicar que está faminto, mas sabe chorar para que lhe deem atenção…

Estamos aprendendo a não engolir sapos. A não engolir o grito que precisa sair de qualquer jeito.

Verdade que não sabemos eleger deputados.  Não sabemos eleger partidos. Não sabemos eleger presidentes. Não sabemos a quem dar o poder.

Mas pelo menos agora já sabemos de quem tirar.

O bolo com menos ingredientes do mundo

Ok, pode ser que você já conheça…

Mas a receita é tão simples, tão escandalosamente fácil que sempre é bom compartilhá-la.

Melhor ainda ter em mente que, para fazer um bolo gostoso, não é preciso de uma fórmula complicada ou trabalhosa.

Aqui, basta você ter em casa 2 ingredientes:

– 4 ovos

 

 

 

–  240g Nutella para o bolo (pode substituir por outro creme de avelã)

 

 

 

Se você estiver de mau humor, pode ainda querer contrariar, dizendo que precisamos usar mais 2 ingredientes: Manteiga para untar a forma e chocolate em pó (ou açúcar) para polvilhar. Verdade.  São 4 ingredientes então.

O que não muda em nada o título desse post: continua sendo o bolo com menos ingredientes no mundo!

E aí, como fazer?

Também simples. Basta seguir esses passos:

  1. Unte uma forma redonda e polvilhe-a com açúcar ou chocolate em pó.
  2. Pré aqueça o forno na temperatura de 180 graus.
  3. Bata os ovos na batedeira na velocidade mais alta por cerca de 6 minutos para o volume triplicar.
  4. Aqueça a Nutella no micro-ondas por cerca de 20 segundos, para ela ficar mais macia
  5. Adicione aos poucos a Nutella à vasilha com os ovos batidos, misturando devagar com uma colher.
  6. Coloque a massa na forma e leve ao forno por mais ou menos 25 minutos, ou até que esteja completamente assado.

Pronto! Com muito pouco, é possível fazer um bolo bem gostoso! Aproveite!

 

 

Reparação para pele muito ressecada

Chegou às minhas mãos um produto novo da La Roche-Posay que promete tratar da pele em locais onde ela é mais castigada, como as áreas dos cotovelos, pés e lábios: o Cicaplast Baume B5.

Na verdade, o produto pode ser usado no corpo todo, porém seu efeito é notado principalmente nestas regiões, que realmente precisam de uma hidratação mais intensa.

Seu concorrente mais popular é o Bepantol, sendo que, numa comparação entre os dois, embora sejam beeeeeem semelhantes, a consistência do Cicaplast me pareceu mais fácil de espalhar e também de ser absorvida pela pele mais rapidamente.

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Quanto ao poder reparador, também ficou fácil perceber que, em mais ou menos uma semana, já é possível notar uma bela diferença no local afetado.

Comecei a usar após passar uma semana no Texas, EUA, lugar super seco, e de onde voltei com as pernas e os pés bem ressecados. Foi ótimo. Em poucos dias, minhas pernas estavam novamente hidratadas e os pés com uma textura bem macia. Valeu a pena.

O Cicaplast não é minha dica para uma hidratação de corpo inteiro e nem para o dia a dia, mas é super útil, principalmente para aquelas regiões que estão realmente precisando de uma hidratada mais profunda e poderosa.

Outra dica que eu dou: aplicar no mínimo 2 vezes ao dia. Após o banho e antes de dormir, dois momentos importantíssimos. O primeiro, porque, com a pele úmida, a absorção do creme pela pele é melhor. E o segundo, porque o período noturno é um dos que mais sofremos desidratação.

Se decidir experimentar o produto, diga o que achou e qual foi sua experiência.

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Ah, aproveito para dizer que tenho 2 amostras deste produto, e que as primeiras pessoas que entrarem em contato através dos comentários, dando o email, receberão uma amostra do Cicaplast para experimentar. OBS: é fundamental deixar o email para eu poder entrar em contato para pegar o endereço de envio da amostra. #desafiocicaplast  #theinsidersbrasil

Sobre gigantes e anões

Nascido no fim da 1ª Grande Guerra, em 1918, e falecido no fim do ano passado aos 95 anos, ele foi ganhador do prêmio Nobel, e contribuiu, indiscutivelmente, para o progresso humano no século XX.

Se à mente do leitor veio a figura de Nelson Mandela, deve saber que a descrição também se aplica ao bioquímico Frederick Sanger. Ambos nasceram no mesmo ano de 1918 com diferença de 1 mês (Mandela em julho, Sanger em agosto), e faleceram em 2013, igualmente, em meses consecutivos (Sanger em novembro, Mandela em dezembro). Mandela foi laureado com o Nobel da Paz em 1993. Sanger com o de química por duas vezes – em 1958, quando determinou a sequência peptídica da Insulina (hormônio cuja falta acarreta a doença diabetes mellitus), e em 1980, pela criação de técnicas de sequenciamento de DNA.


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Suas vidas, origens, e desafios que enfrentaram foram completamente diferentes. Um nasceu numa tribo sul-africana, engajou-se na luta política de um país disputado pelas potências europeias, foi preso por quase 3 décadas, e participou ativamente do movimento que pôs fim à segregação racial injuriosa do apartheid. O outro nasceu na Inglaterra, cedo apaixonou-se por temas científicos, teve a oportunidade de estudar sob uma metodologia chamada Plano Dalton, cujo escopo visava ao desenvolvimento da liberdade, iniciativa e autonomia dos discentes, e tornou-se um dos maiores cientistas de todos os tempos.

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O regime no qual Sanger desenvolveu seu potencial científico contrasta, radicalmente, com aquele que se tornou a razão da vida e luta de Mandela. Mas ambas as conjunturas ensejaram que seus protagonistas empurrassem a humanidade a um estágio mais avançado de civilização. Sanger estendeu as fronteiras do conhecimento, desvendando a estrutura química da vida. Mandela ampliou as da liberdade humana, derrubando o preconceito, o racismo e a hipocrisia.

Nestes meados de 2014, no entrementes das datas em que se comemorariam os 96 anos dos dois personagens, a importância de suas trajetórias é aqui lembrada em deferência aos que se dedicam, de forma construtiva, ao progresso do homem na Terra.

No mesmo instante em que esta homenagem é aqui registrada, escreve-se, em outra parte do globo, mais um triste capítulo da História. Trata-se do conflito na Faixa de Gaza que já ceifou a vida de cerca de 50 soldados israelenses, e mais de 1500 civis palestinos, dentre os quais muitas crianças, mulheres e idosos. É fato difusamente conhecido que vários mísseis de Israel já atingiram escolas e hospitais, sob a justificativa de os locais abrigarem terroristas do Hamas, e sob a auto-eximição de os mesmos usarem a população como escudo humano.

Em meio às críticas que Israel recebeu da comunidade internacional (incluindo as de aliados, como os EUA), foi particularmente interessante sua reação à do Brasil, que convocou seu embaixador no país. Chamou, através de seu porta-voz, o país de “anão diplomático”, e de parceiro “irrelevante”.

O menoscabo público e oficial na referência a um membro da ONU com quem, historicamente, manteve laços de amizade, denota o grau de respeito que Israel dedica a quem dele discorda.

Mandela certa vez disse que sonhava com o dia em que todos se levantariam e compreenderiam que foram feitos para viver como irmãos. Sanger, certa feita, ao recusar uma distinção que lhe foi oferecida, respondeu: “A knighthood makes you different, doesn’t it, and I don’t want to be different!”. Tarde demais… Enquanto se discute a definição do que seja desproporcional, 7×1 no futebol, ou 50 contra 1500, a relevância gigante das memórias de Frederick Sanger e Nelson Mandela se opõe à moralidade anã dos promotores da desgraça de Gaza.

Mais médicos?

MAIS MÉDICOS?

Simone Frattini*

O ensino médico no Brasil teve início tão logo a corte portuguesa desembarcou por aqui. Em fevereiro de 1808, D João VI criou, na Bahia, a primeira escola a ensinar medicina e cirurgia no país. Nove meses depois, nascia mais uma: a Escola Anatômica Cirúrgica e Médica do Rio de Janeiro. Passados 204 anos, em 2012, a USP publicou um relatório sobre avaliação das Escolas Médicas Brasileiras, mostrando que, ao todo, temos 198 instituições ensinando medicina no Brasil, um dos maiores índices do mundo.

Apenas nos últimos 17 anos, foram abertos 96 cursos novos de Medicina. A maioria em instituições particulares. Hoje, elas são mais de 57% do total, cobrando uma média de 4 mil reais por mês de seus alunos. Com o “baby boom” da educação médica no país, era de se esperar que o Ministério de Educação exercesse sua função de órgão fiscalizador e tivesse relativo controle do desenvolvimento dessas novas escolas. Por outro lado, também era de se esperar que o MEC não abandonasse o cuidado e a atenção em relação às antigas e já renomadas instituições.

Era de se esperar… Mas nós nos acostumamos a esperar demais. E receber de menos.

É óbvio que o MEC não estava cuidando do Ensino Médico como deveria. Não percebia o risco de morte de uma das mais tradicionais escolas médicas do Rio de Janeiro: a Universidade Gama Filho, fundada em 1939 e responsável por formar novos médicos desde 1965. Ao voltar os olhos somente para o novo, bebês que nasciam fortes e saudáveis, esquecia o cuidado com as instituições mais antigas, que respiravam por aparelhos.

Fossem médicos, os responsáveis pelo MEC ouviriam o bip-bip, tão comum nos nossos CTIs, falhando peremptoriamente. A Universidade Gama Filho começou a dar indícios de falhas internas no final de 2011. Alunos manifestaram-se, funcionários idem. O MEC, que, além de não ser médico, não preza pelo cuidado, não se mexeu. Os sintomas estavam todos lá. A infecção começava a se alastrar, e a morte seria questão de tempo. Se o MEC fosse um médico, teria percebido a gravidade do caso e poderia salvar a tempo a vida de quem ele deveria estar cuidando.

Ao longo de 2012 e 2013, enquanto estava em pauta a contratação de médicos estrangeiros para suprir a necessidade de mais profissionais da área no Brasil, cerca de 2 mil acadêmicos do curso de Medicina da Universidade Gama Filho lutavam para dar seguimento aos seus estudos, em uma instituição que vinha definhando, visivelmente. Professores competentíssimos e renomados, funcionários extremamente dedicados e fiéis à história do seu local de trabalho mantiveram a universidade de pé, sabe-se lá como. Sem a assistência necessária, ou seja, a atenção do MEC, tanta vontade de sobreviver não bastaria.  

Se precisamos de mais médicos, principalmente bons médicos, por que não cuidar dos nosso acadêmicos de Medicina? Por que importar médicos de outros países? Por que criar mais vagas? Fosse o MEC um médico, saberia que não se cobre um machucado profundo com um band-aid. Dependendo do tamanho da lesão e do dano, não adianta importar, de outros países, gaze e linha de sutura. Há que se fazer uma cirurgia. De outro modo, a lesão continua lá. E dói e mata do mesmo jeito.

Em 08 de julho de 2013, o Ministério da Saúde lançou o Programa Mais Médicos. Com os olhos voltados à necessidade – real – de levar assistência à saúde a milhões de brasileiros carentes. Com a contratação de profissionais estrangeiros, espera-se suprir momentaneamente uma demanda reprimida. Com a formação cuidadosa, assistida e adequada de médicos brasileiros, seria possível suprir esta demanda eternamente.

Não cabe mais perguntar por que se contratar médicos estrangeiros e criar novas vagas nos cursos de Medicina quando não há um cuidado e uma preocupação com aqueles que estão em vias de se formar médicos, alunos entre o primeiro e o sexto ano de formação médica.

Não cabe perguntar, porque não há resposta satisfatória.

E , ainda assim, precisamos de mais médicos.

Em 12 de dezembro de 2013, foi autorizada, por meio da Política Nacional de Expansão das Escolas Médicas, a abertura de 560 vagas para cursos de Medicina. Até 2017, serão abertas 11.447 vagas em instituições públicas e privadas. O baby boom continuará, sem a menor garantia de que estas novas possibilidades serão bem alimentadas, bem cuidadas, bem nutridas. Criar vagas no ensino superior não é tão complicado assim. Difícil é manter a qualidade deste ensino. É ter certeza de que a educação médica no país está crescendo forte e saudável. Ao que tudo indica, não está.

Fosse o MEC um médico, saberia que não basta colocar um filho no mundo. É preciso cuidar, alimentar, dar vacina, e, de vez em quando, levar ao pediatra, para ter certeza que ele está se desenvolvendo bem e com saúde. Mas o MEC não é médico. O MEC não entende nada de Medicina.

Aliás, ao que tudo indica, o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde são partes de um todo, mas que não se entendem muito bem. Enquanto um diz “mais médicos”, o outro abandona os futuros médicos, acadêmicos prestes a se formar e a iniciar uma carreira na Medicina, em um país que insiste em gritar: “mais médicos”. Fosse o MEC um médico, de qualquer área, ele entenderia que, se uma população grita que precisa de remédio, não adianta vir com placebo. Uma vez, li que quem tem fome, tem pressa. Quem está morrendo também. Os primeiros 10 minutos num atendimento de emergência fazem toda a diferença na sobrevivência do paciente.

Ainda bem que o MEC não é médico. A esta altura, nós, estudantes de medicina da Universidade Gama Filho, já estaríamos todos mortos. 

 

*Artigo publicado no jornal O GLOBO, seção Opinião, no primeiro caderno, pág. 13. Segue aqui o texto integral.